Um carro que sobe na descida?

Tenho reparado que apesar do conhecimento científico, muitos misticismos continuam, pois esses conhecimentos não foram ainda bem divulgados e explicados ao público em geral.

O caso de hoje relata as situações em vários locais do planeta em que há subidas em que a gravidade obriga a descer e também descidas em que a gravidade obriga a subir. Muitos dizem que é apenas ilusão de óptica, mesmo até alguns cientistas. Nalguns casos pode ser, noutros pode não ser.

Primeiro é preciso conceitos prévios:
- Cota: é a altura de um ponto em relação a um plano horizontal de referência, geralmente o zero hidrográfico ou o nível médio do mar;
- Subida: um troço (relativamente plano) da superfície em que o ponto de partida encontra-se num nível de cota inferior ao do ponto de chegada;
- Descida: um troço (relativamente plano) da superfície em que o ponto de partida encontra-se num nível de cota superior ao do ponto de chegada;

O Planeta Terra não apresenta uma forma e constituição uniformes nem homogéneas como todos reparamos. E como devem calcular, é muito difícil conseguir uma exactidão de posicionamento às décimas de milímetro, qual é necessário trabalhar em Cartografia, Geodesia e Topografia. O primeiro problema prende-se logo pela definição do referencial.

Posto isto, vejam esta situação:

http://www.youtube.com/watch?v=f01YWZxzCgE

Existe também em Portugal, nomeadamente em Braga (Bom Jesus) e em Sintra, a caminho do Guincho, etc.

A reacção duma parte das pessoas é “um poder magnético”, “um milagre” ou então “ilusão de óptica”.
Esta última hipótese é possível. No entanto, depois de se estudar, já se provou que não costuma ser ilusão.

Após isto, encontrei uma explicação de um físico da niversidade do Minho qual concluiu que é ilusão de óptica, no caso do de Braga:

http://www.tsf.pt/blogs/fimdarua/archive/2009/05/04/o-mist-233-rio-da-estrada-do-bom-jesus.aspx

Neste caso, o conceituado físico está redondamente enganado. E o método que ele usou para o provar, não provam nada do que é pretendido. Apenas prova de que a direcção da gravidade é num determinado sentido, sem associar as cotas dos pontos, o qual é necessário para a definição de subida/descida. Agora seguem-se conceitos adicionais (novos para muita gente):

- Campo Gravítico: é o campo vectorial que representa a atracção gravitacional que um corpo massivo (isto é, um corpo caracterizado pelo atributo de massa) exerce sobre os outros corpos, sem especificar qual é o corpo que está sendo atraído. Isso é possível porque pela lei da gravitação universal, a força gravitacional sentida por um corpo é directamente proporcional à sua massa gravitacional
http://pt.wikipedia.org/wiki/Campo_grav%C3%ADtico ;

- Elipsóide – superfície matemática fictícia, sem qualquer realidade física, mais aproximada da forma da Terra;

- Superfície terrestre, superfície topográfica real da Terra ou simplesmente topografia;
- Geóide: superfície equipotencial do campo gravítico terrestre que mais se aproxima do nível médio das águas do mar – http://www.igeo.pt/perguntas.htm#3  ,  http://pt.wikipedia.org/wiki/Geoide

De um modo geral, o geóide não coincide com o elipsóide. A distância entre a superfície do Geóide e a do elipsóide de referência, designa-se por ondulação do geóide (N). A ondulação do geóide pode ser positiva ou negativa consoante o geóide se encontre acima ou abaixo do elipsóide.

Essa superfície do Geóide nem sempre acompanha de igual modo a topografia, pois o geóide está influenciado pela quantidade de massa, o qual dependerá do volume e da densidade dos materiais. A topografia é uma questão de forma e volume, podendo criar algumas áreas pequenas em que o gradiente do geóide é diferente (e concorrente) com o gradiente da superfície terrestre.

Quando isto acontece, dá-se o tal fenómeno deste tópico, ou seja, a gravidade tem uma direcção e a topogafia tem outro. A maioria dos troços que se conhecem têm pequenas dimensões, na ordem dos 100 metros.

Um exemplo é numa Câmara grande/bolsa de material menos denso que algumas rochas ou solo (água por exemplo), o qual apresenta um somatório de massa inferior relativamente à zona imediatamente a seguir, o que leva a que a gravidade tenha uma componente vectorial (direcção) no sentido da maior quantidade de massa.

Aplicando o teorema de Bruns T=N/G, onde G é o valor da gravidade sobre o elipsóide (gQ), obtém-se a chamada fórmula ou integral de Stokes. Esta é a fórmula mais importante da geodesia física, pois permite determina directamente a ondulação do geóide a partir das anomalias da gravidade definidas sobre o geóide. Esta fórmula não é de fácil aplicação, já que a superfície terrestre não coincide com o geóide, e as anomalias da gravidade observadas não são definidos sobre o geóide.

Essas anomalias (em especial a de Bouguer) é a forma mais habitual de aplicação para prospecção prévia de, por exemplo, gás natural, petróleo, materiais densos como o ouro, etc.

Vou tentando melhorar este tópico de difícil explicação, pois necessita de muitos novos conceitos, ainda por cima quase não há artigos sobre estesassuntos. Mas deixo os que consegui para quem quiser saber mais:
- http://webpages.fc.ul.pt/~cmantunes/oth_info.html
- http://idl.ul.pt/sites/idl.ul.pt/files/docs/fundamentos_geofisica_0.pdf (o melhor e dos únicos livros/sebenta em português sobre Geofísica)

- http://webpages.fc.ul.pt/~cmantunes/Geodesia/IG18-Geoide.pdf
Por curiosidade, deixo este link de como se pode “produzir” o efeito gravidade: http://www.xr.pro.br/fc/GRAVIDADE.HTML
Basicamente ou por força centrífuga, força de inércia ou de hipermassa. Falta estudar os Gravitões…